O que aprendi hoje com os meus filhos. |
Adorava saber escrever. Aquele escrever que expressa com clareza o que nos vai na mente mas principalmente o que nos vai na alma. Uma alma com que todos nascemos mas que parecemos ir perdendo à medida que crescemos. Perdemos ingenuidade, perdemos coragem, perdemos autenticidade e acabamos por complicar a vida que enquanto crianças é tão mais simples. Graças a Deus tenho filhos. 2+2 (a meias) que me lembram tantas vezes essas coisas que, por ser crescido, deixei de ver. Verdadeiras lições de vida que espero com este blog deixar registadas para que eles próprios aprendam no dia em que, já adultos, se esquecerem como a vida deve se: espontânea, cheia de alma, autêntica, livre e vivida. É por isto que não vou escrever para mim nem tão pouco para si. Peço desculpa. Escrevo para eles. Hoje, ainda não entendem tudo mas um dia vão entender. |
Ando muito preguiçoso.
Confesso que me tenho limitado a reproduzir ou dar voz a coisas com que me cruzo e que me parecem imperdíveis.
Ando menos atento ao relato que me auto-comprometi a fazer neste blog daquilo que aprendo convosco e mais ansioso quanto àquilo que gostava que vocês soubessem já hoje com 9, 10, 13 e 14 anos. Muito lucrariam de certo.
Mas sei que tal não é possível ou não estivesse eternizada com tanta razão a famosa frase: “…se tivesse a tua idade e soubesse o que sei hoje…”
O que me parece interessante é como tal se aplica a qualquer momento da nossa vida.
Ouvindo as palavras constrangedoramente lúcidas deste conhecido jornalista e escritor Uruguaio, Eduardo Galeano, fico com a sensação de que se conseguisse sentir profundamente aos 44 anos aquilo que ele transmite tão bem nesta entrevista aos 70, levaria certamente uma vida de maior paz de espírito.
Matilde, Sofia, João Maria e Manel, vejam tudo com a mesma atenção e tempo que ele, Galeano, dedicou também ao entrevistador. Enquanto não passou toda a sua mensagem não hesitou em voltar para trás e retomar o discurso.
São 11 minutos que valem uma vida.
Miúdos, já há muito tempo que não fazia aqui nenhum post. Não que não continue a aprender todos os dias convosco, mas porque, como sou adulto, esqueço-me depressa demais das coisas importantes para tratar de urgências que 10 minutos depois já não o são…
Mas este filme fez-me sentir a obrigação de o publicar aqui e de retomar posts frequentes.
Afinal a Cinderela não pode ser feliz para sempre. Uma composição mas também uma observação sócio-política brilhante da Leonor (a minha “agri-doce” sobrinha de 9 anos). Sempre a aprender com as crianças…
Cinderela no século 21
Era uma vês uma rapariga chamada Cinderela que vivia com a madrasta, com as suas 2 filhas e com dois amiguinhos ratos.
Desde que o pai de Cinderela morrera ela trabalhara para a madrasta, dando a ração aos cães, pondo a roupa e a loiça na maquina, indo ao Lidl comprar pão …
Um dia, quando ela fora aos correios, vira um convite para uma party na discoteca.
No dia da festa a madrasta não deixou Cinderela ir. Então Cinderela pôs-se a chorar, quando de repente ouviu um helicóptero e de lá saiu uma fada madrinha de pára-quedas, que logo perguntou o que se passara, então Cinderela explicara-lhe tudo.
Quando Cinderela acabou a fada madrinha pegou na sua varinha e transformou uma garrafa de champanhe numa limusina, depois transformou os ratinhos em condutores e por fim

telefonou para a H & M para encomendar um vestido, que chegou em cinco minutos. Mas antes de Cinderela partir a fada madrinha disse-lhe: “ tens de voltar antes da meia noite.”
Mal chegou o príncipe foi logo ter com ela e dançaram toda a noite. Mas quando olhou para o relógio digital desatou a fugir e quando chegou ao fim das escadas rolantes deixou cair um sapato.
No dia seguinte o príncipe, através de um GPS encontrou Cinderela.
Viveram felizes para sempre, quer dizer mais ou menos, por causa da crise !!!

Matilde, Sofia, Manuel Maria e João Maria.
Há coisas que não aprendemos na escola. Só aprendemos com a vida.
Entender o tipo de reflexão que aparece neste video implica já ter dado algumas “cabeçadas” e cometido alguns erros e só daqui a uns anos vão perceber toda a extensão da mensagem.
Mas lembrem-se disto: é importante, de vez em quando, pararmos e relativizarmos o stress que nos colocam com os TPCs, os testes ou os exames e a inevitabilidade de estarmos condenados ao insucesso se essas coisas não correrem bem. O sucesso como “Ser humano” vai muito para além disso.
Muita gente anda tão obcecada em ser feliz que se esquece de viver. Vejam o video.
Para mim, foi uma pausa de dez minutos no dia que muito valeu a pena.
DAQUI A CEM ANOS.
Daqui a cem anos ninguém se lembrará do dinheiro, das casas, dos carros, das empresas que criámos nem das “coisas” que tivemos. Mas se tivermos feito a diferença na vida de uma criança teremos muito provavelmente cumprido o nosso papel.
Este filme é um Tributo da NORMAJEAN ao sócio fundador Jorge Godinho. O texto pode ler-se integralmente no Brand Book da Agência e traduz o nosso compromisso ético. É apresentado sob a forma de uma carta escrita aos filhos de todos os publicitários e marketeers e é um legado extraordinário para todos nós.
Rodrigo Silva Gomes
Agradecimento especial ao Augusto Seabra, Salomão e Micael Figueiredo, Zé Neto e Miguel Gonçalves pela ajuda na concretização do filme.
(Source: blogajean)
A vida não é linear. É orgânica. A Internet é orgânica. O mundo é orgânico. As empresas tem que ser cada vez mais orgânicas. As marcas tem que ser orgânicas. A maneira como comunicamos também. Absorver este conceito é crítico para construirmos expectativas adequadas e fundamental para a felicidade de todos.
A Matilde viu este video e gostou.
Muitos já passaram pelo mesmo e sentiram o mesmo. A experiência, nunca a tinha visto descrita desta forma. Essa é a novidade e a força e simplicidade da mensagem extraordinária.
O João Maria ontem protestou com a Mãe: “eu quero ir ao velório do Jorge… sou o mais novo da família e tenho tantas coisas para aprender também nas tristezas… deixa-me ir!”
Tens tanta razão João.
O sócio, colega e amigo do tio, o Jorge Godinho partiu ontem de madrugada.
Quando me comunicou a doença que tinha, disse-lhe que não se preocupasse porque, assim cedo (38 anos), só morrem os Bons. Acreditava que talvez a fama dele ainda não tivesse chegado “lá acima”. Enganei-me.
Fica-me o conforto de, como dizia o Tiago, “alguém noutro sítio qualquer deve estar a precisar muito dele”.
É uma perda inestimável que honrarei mantendo intactas tantas coisas fantásticas que ele profissionalmente me ajudou a construir: uma visão, uma filosofia, uma cultura, inspiração e uma forma de estar que hoje é de todos na NORMAJEAN mas que em muito lhe devemos.
Deixou-me também um sócio novo: o Tomás…3 anos, que tu conheces… certamente o mais novo sócio de uma agência em Portugal. Sei que ele, com a ajuda da Rita e da Francisca me vai ajudar a continuar a lutar pelos princípios e ideais que o pai defendia e assim ajudar-me a passa-los para vocês também. Pelo meu lado, eles os 3 vão mesmo contar comigo, queiram ou não. Vou cá estar para eles.
Devo demais ao Jorge para que seja de outra forma e é assim que vou perpetuar a nossa amizade.
Com a tua questão de ontem fizeste-me pensar na minha relação com o Jorge e aprendi que a relação, a presença, os compromissos e as responsabilidades que tinha para com ele em vida, se vão manter para sempre. Matilde, Sofia, Manuel Maria e João Maria, aproveitem cada minuto dos vossos amigos e escolham bem os verdadeiros. Vão viver para sempre convosco.
Até logo Jorge.

Absolutamente extraordinárias a Visão, a “Proposta” e a Capacidade de Comunicação.
Concordo especialmente com a evidência - desconfortável para os mais quadrados - de que a vida não é uma narrativa e que, tanto na escola como no trabalho, o reconhecimento de tal facto é fundamental para concretizar a revolução que ainda falta fazer.
Digo na descrição deste blog que tudo o que aqui escrevo, escrevo na esperança de que os meus filhos consigam um dia decifrar todas as mensagens que tento deixar-lhes.
A mensagem deste filme, espero sinceramente, que a decifrem já hoje.
Horácio (Horace) Quintus Horatius Flaccus (Venusia, December 8, 65 BC – Rome, November 27, 8 BC), known in the English-speaking world as Horace, was the leading Roman lyric poet during the time of Augustus.
Thomas Carlyle
Diz o avô António que a amizade é “talvez a relação mais nobre que pode haver por ser a única em que escolhemos e somos escolhidos”.
A Sofia pediu à Matilde que a inspirasse para a composição que tinha de fazer sobre o tema da amizade. Fiquei impressionado com o texto que em curtos minutos ela lhe escreveu e com a profundidade que aos 13 anos já temos sobre o que pode representar a verdadeira amizade. (em baixo)
“A amizade é uma alma dividida entre duas pessoas. É uma demonstração de carinho, uma oferta de ajuda e uma divisao de confiança. Ser amigo é além do mais uma virtude que se deve valorizar acima de tudo e para toda a sua vida.
É algo que por muito que saibamos nos vai sempre ensinar algo novo. Algo que só os amigos nos podem ensinar. Com os nossos amigos aprendemos a receber, a dar, a errar, a perdoar e acima disso, aprendemos a amar.
A amizade constitui-se de coisas tais como o erro e o perdão. Quando uma amizade é baseada em confiança e se trai essa confiança, é dificil de perdoar mas o verdadeiro amigo saberá faze-lo com distinção.
É isso um verdadeiro amigo um que sabe confiar e nao mentir, surpreender os outros sem nunca desiludir e ainda saber amar sem nunca esquecer a importancia da amizade. A amizade define se como algo que vai para alem do espaço e do universo, da natureza e da ciência. Ainda assim consegue ir além da perfeição. O amigo é aquele que aceita ajuda, confia, diz a verdade, se zanga e muito mais, mas sem nunca esquecer o que é a amizade.”

…em minutos. Foi uma surpresa.
No entanto, vamos aprendendo pela vida que aceitar a teoria não é o mais complicado. Difícil é a prática de princípios aparentemente tão fáceis de aplicar quando as desilusões nos vão surpreendendo.
Afinal (como diz o Avô António, mais uma vez), “assim como não há pessoas perfeitas, também não há Amigos perfeitos. E ainda bem. Amigos perfeitos não tem graça nenhuma.”
“Hoje reaprendi a teoria com a Matilde mas a lição a não esquecer é a do Avô.”
Escrito com 7/8 anos.

“Hoje aprendi comigo. Irmãos é para sempre.”